Especialidade

Transplante de Fígado

Quando o Transplante de Fígado é Necessário?

O transplante de fígado pode ser considerado quando uma doença hepática grave ou irreversível compromete a função do órgão e as demais alternativas de tratamento não são suficientes. A indicação não depende apenas do diagnóstico: é necessária uma avaliação individualizada da gravidade da doença, das complicações existentes e das condições clínicas do paciente.

O que é?
O transplante de fígado é um procedimento cirúrgico que envolve a remoção do fígado danificado ou doente e sua substituição por um fígado saudável de um doador vivo (inter vivos) ou já falecido (cadáver).

O transplante de fígado é geralmente realizado em pacientes que têm doenças hepáticas graves que não respondem ao tratamento médico convencional, como a cirrose hepática, hepatite fulminante e câncer de fígado.

Nesse artigo abordaremos como funciona o transplante de fígado, quando é indicado e os cuidados necessários no pós-operatório. Leia até o final e tire suas dúvidas!

Doenças indicadas
O transplante de fígado é necessário quando o fígado está tão danificado ou doente que não pode mais funcionar adequadamente e não responde mais ao tratamento médico convencional. Algumas das condições que podem exigir um transplante de fígado incluem:

  • Cirrose hepática: é uma condição em que o tecido hepático normal é substituído por tecido fibroso (cicatrizes) em decorrência de processo inflamatório crônico permanente levando a perda das funçòes do órgão
  • Hepatite fulminante: inflamação aguda do fígado por vírus, agentes tóxicos ou medicamentos em pacientes com fígado previamente normal
  • Câncer de fígado: se o câncer de fígado se espalha e não pode ser tratado com cirurgia, o transplante de fígado pode ser uma opção
    Todo paciente portador de umas das condições acima deve ser avaliado por médico hepatologista para fazer uma completa e minuciosa avaliação da sua condição de saúde e necessidade de ser incluído em fila de espera para transplante de fígado.

Procedimento

O procedimento de transplante de fígado é uma cirurgia complexa que pode durar várias horas e envolve várias etapas. As etapas incluem:

Preparação: o paciente é anestesiado e o cirurgião faz uma incisão na parte superior do abdômen para acessar o fígado
Remoção do fígado doente: o fígado doente é removido cuidadosamente, deixando intactos os vasos sanguíneos, ductos biliares e outras estruturas do abdômen que serão conectados ao novo fígado
Implante do novo fígado: o novo fígado é preparado e então implantado no lugar do fígado doente
Fechamento da incisão: após a conexão do novo fígado, a incisão é fechada e o paciente é levado para a sala de recuperação
Após a cirurgia, o paciente será monitorado cuidadosamente na unidade de terapia intensiva e poderá precisar ficar no hospital por vários dias ou semanas, dependendo da gravidade da doença hepática e da recuperação pós-operatória.

É importante lembrar que o transplante de fígado é um procedimento complexo que os pacientes devem seguir cuidadosamente as instruções médicas e tomar medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do novo fígado e ter uma sobrevida longa, geralmente de 80 a 90% no primeiro ano e de 50 a 70% em 5 anos. Houve uma grande melhora nas taxas de sobrevida nos últimos anos com o avanço das técnicas cirúrgicas e descoberta de novas drogas imunossupressoras, possibilitando ao paciente transplantado viver por anos, com excelente qualidade de vida.

Após a alta hospitalar, o paciente deve passar por avaliações médicas e da equipe multidisciplinar (enfermagem, nutricionista, fisioterapia) regularmente, garantindo sua recuperação e bem-estar.

Como é feita a avaliação para transplante de fígado?

A decisão de encaminhar um paciente para transplante envolve uma avaliação ampla. Além da doença que compromete o fígado, são analisados exames laboratoriais e de imagem, presença de complicações, funcionamento de outros órgãos, estado nutricional e condições gerais para a realização do procedimento.

Quando a equipe especializada confirma a indicação, o paciente pode ser inscrito na lista de espera do Sistema Nacional de Transplantes, de acordo com os critérios técnicos vigentes.

O que é MELD 3.0 e qual sua importância no transplante de fígado?

O MELD 3.0 é um sistema utilizado para estimar a gravidade da doença hepática em candidatos ao transplante de fígado com 12 anos ou mais. O cálculo considera exames como bilirrubina, creatinina, RNI, sódio e albumina. Em geral, quanto maior a pontuação, maior a gravidade clínica considerada na priorização.

Quais exames entram no MELD 3.0?

Bilirrubina
Relacionada à capacidade do fígado de processar e eliminar a bilirrubina.

Creatinina
Ajuda a avaliar a função renal, que pode ser comprometida em pacientes com doença hepática avançada.

RNI
Relaciona-se à coagulação do sangue e pode refletir a capacidade de síntese do fígado.

Sódio
Alterações do sódio podem estar associadas à gravidade da doença hepática.

Albumina
Proteína produzida pelo fígado e incorporada ao MELD 3.0.

A cartilha oficial de 2026 confirma essas cinco variáveis para o MELD 3.0.

Um MELD maior significa que o transplante acontecerá imediatamente?

Não necessariamente. O MELD 3.0 é um dos principais critérios utilizados para representar a gravidade da doença, mas a seleção de um receptor também considera fatores como compatibilidade sanguínea, características do doador, regionalização, critérios de prioridade e tempo em lista, conforme as regras do Sistema Nacional de Transplantes.

Como funciona a fila para transplante de fígado no Brasil?

A lista de espera para transplante é organizada e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes. Após a indicação ser confirmada por uma equipe autorizada, o paciente é cadastrado no sistema e passa a concorrer a órgãos compatíveis de acordo com critérios técnicos definidos pela legislação.

Como funciona a fila para transplante de fígado no Brasil?

  1. Avaliação especializada → confirmação da indicação do transplante.
  2. Exames e cadastro → inclusão das informações clínicas no sistema.
  3. Lista de espera → acompanhamento da gravidade e compatibilidade.
  4. Oferta de órgão → avaliação do órgão e das condições clínicas para realização do transplante.

A fila é simplesmente por ordem de chegada?

Não. O transplante de fígado não funciona como uma fila convencional. A seleção considera critérios clínicos e de compatibilidade, incluindo pontuação MELD/PELD, grupo sanguíneo, características do doador, regionalização e tempo de espera, além de situações específicas de prioridade previstas na legislação.

Como o paciente acompanha sua situação na lista?

Pacientes inscritos podem consultar informações da lista de espera por meio dos sistemas indicados pelo SNT. Em São Paulo, há um acesso específico para acompanhamento da lista estadual, utilizando os dados de identificação solicitados pelo sistema.

Como funciona a fila para transplante de fígado no Brasil?

Dra Lilian Curvelo

CRM 78.526/SP | RQE 84418 - Gastroenterologia

Sou médica formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização e doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pós-doutorado em transplante de fígado pela Universidade Erasmus-MC na Holanda.

Seja uma parte importante da vida de alguém!

Dúvidas Frequentes

Confira, a seguir, algumas das dúvidas mais comuns sobre as doenças do fígado, quem sabe uma delas é a sua!

Quando o transplante de fígado é necessário?

Qualquer pessoa, criança ou adulto, cuja vida está seriamente comprometida por uma doença hepática grave e irreversível pode ser candidato ao transplante hepático, depois de esgotadas todas as demais alternativas de tratamento clínico e cirúrgico.

É a cirurgia que consiste na retirada do fígado doente de um paciente portador de uma doença hepática crônica ou aguda para colocar, no mesmo lugar, um fígado doado pela família de alguém com morte encefálica, ou parte do fígado de um doador vivo, doado por um familiar.

Basicamente o procedimento consiste em:

Retirada do fígado do receptor;
Retirada do fígado do doador;
Implante do fígado do doador no receptor.

A fase pré-operatória do paciente inclui uma cuidadosa avaliação do funcionamento de outros sistemas fisiológicos importantes, como o cardiovascular, o neurológico, o respiratório e o renal. O preparo e acompanhamento psicológico dos pacientes e seus familiares são fundamentais para a adequada compreensão e aceitação do procedimento, assim como em sua adesão ao programa de transplante que, uma vez iniciado, se estende por toda a sua vida.

Sim! As complicações comuns são sangramentos, rejeição, infecção, retorno da doença de base no fígado novo e complicações na drenagem de bile. As mais graves e menos comuns são: não funcionamento do novo fígado e trombose da artéria hepática, que podem necessitar de novo transplante urgente. Vale destacar que a interrupção dos imunossupressores desencadeará rejeição, possibilidade de perda do órgão transplantado e risco de vida.

Pacientes com hepatite fulminante tem prioridade na fila. O risco de morte é mensurado por um índice matemático chamado Model for End-Stage Liver Disease (MELD – Modelo para a Doença Hepática em Estágio Terminal, em tradução aproximada). O cálculo é feito com base nos exames laboratoriais do doente. Quanto maior for o resultado desse cálculo, mais à frente na lista o paciente é posicionado.

A sobrevida de pacientes transplantados de fígado no primeiro ano é de 80 a 90% e, em 5 anos, de 50 a 70%. Houve uma grande melhora nas taxas de sobrevida nos últimos anos com o avanço das técnicas cirúrgicas e descoberta de novas drogas imunossupressoras, possibilitando ao paciente transplantado viver por anos, com excelente qualidade de vida. É fundamental realizar o acompanhamento médico e não interromper a medicação.

O tratamento curativo da cirrose é o transplante hepático, onde o fígado cirrótico é substituído por um fígado inteiro, no caso de doador cadáver, ou parte dele, no caso de transplante intervivos (um membro da família compatível é o doador). É indicado para pacientes que têm complicações da doença, que não respondem ao tratamento clínico ou que têm câncer de fígado. Para saber mais sobre o tema, agende sua consulta!

O que os pacientes dizem

Excelente atendimento. A Dra. Lilian é extremamente competente e atenciosa.

Marly D’Amaro Blasques Tooge

A Dra Lilian é fantástica. Uma médica muito humana e que olha o paciente com um olhar de empatia. Ela eh uma médica que realmente se preocupa com o bem estar do paciente. Ótima hepatologista.

Susan Alcazar

Rapidez , e qualidade para agendar a consulta on-line . Durante a consulta todas minhas dúvidas foram esclarecidas. Médica bem focada no bem estar do paciente. Classifico como uma excelente médica.

Adriana Robine

Atendimento atencioso e esclarecimento perfeito

Marcelo Marcon

Dra Lilian foi muito atenciosa, olhou todos os meus exames e claramente me explicou as possibilidades para a prevenção e atenuação dos sintomas acusados pelo refluxo!

Marcelo Valadares

Maravilhosa a doutora Lilian. Me passou muita segurança. Muita gratidão em primeiro lugar a Deus por ter colocado este anjo em minha vida.

Marli Rossatto

Agende sua consulta

Agende sua consulta e receba um atendimento especializado, humanizado e de confiança.