Na maioria dos pacientes, a elevação é discreta e está relacionada a alterações metabólicas.
Entretanto, uma investigação mais aprofundada torna-se necessária quando:
- a alteração persiste por mais de três a seis meses;
- há aumento progressivo da enzima;
- existe elevação simultânea da fosfatase alcalina;
- surgem icterícia, prurido intenso ou perda de peso;
- há histórico familiar de doenças hepáticas;
- exames de imagem demonstram alterações das vias biliares;
- existe suspeita de doença colestática autoimune ou genética.
Nessas situações, podem ser necessários exames complementares como autoanticorpos (AMA, ANA, anti-gp210, anti-sp100), imunoglobulinas, colangiorressonância magnética, elastografia hepática (FibroScan®) e, em casos selecionados, testes genéticos.
Quais exames devem ser solicitados?
A investigação depende do perfil clínico de cada paciente.
Os exames mais frequentemente utilizados incluem:
- TGO e TGP;
- fosfatase alcalina;
- bilirrubinas;
- albumina;
- INR;
- hemograma;
- glicemia;
- hemoglobina glicada;
- perfil lipídico;
- ferritina;
- sorologias para hepatites virais;
- Anticorpos para doenças autoimunes
- ultrassonografia abdominal
- elastografia hepática, quando houver suspeita de fibrose.
Em alguns casos, podem ser necessários exames como colangiorressonância magnética ou tomografia computadorizada.
Existe tratamento para Gama-GT alta?
Não existe tratamento específico para reduzir a GGT.
O tratamento deve ser direcionado à doença responsável pela alteração.
Dependendo da causa, podem ser recomendados:
- perda de peso;
- alimentação baseada na dieta mediterrânea;
- prática regular de atividade física;
- controle do diabetes;
- redução do colesterol;
- suspensão do consumo de álcool;
- revisão de medicamentos potencialmente hepatotóxicos;
- tratamento das doenças das vias biliares;
- tratamento das hepatites.
- Tratamento da doenç hepática autoimune
A melhora da GGT costuma ocorrer de forma gradual, acompanhando a recuperação da doença de base.
Quando procurar um hepatologista?
É recomendável procurar avaliação especializada quando:
- a GGT permanece elevada em exames repetidos;
- existem alterações simultâneas de TGO, TGP ou fosfatase alcalina;
- há diagnóstico de gordura no fígado;
- existe histórico familiar de doenças hepáticas;
- surgem sintomas como pele amarelada, urina escura, fezes claras, coceira intensa ou perda de peso;
- há suspeita de fibrose hepática.
Hoje dispomos de métodos não invasivos, como a elastografia hepática (FibroScan®), capazes de identificar precocemente pacientes com maior risco de evolução para cirrose.
Conclusão
A Gama-GT elevada não deve ser encarada apenas como um marcador relacionado ao consumo de álcool.
Na prática clínica atual, ela representa um importante sinal de alerta para alterações metabólicas, doenças hepáticas e doenças das vias biliares.
Em muitos pacientes, a GGT elevada é a primeira manifestação laboratorial da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, uma condição que afeta cerca de um terço da população adulta e está intimamente relacionada ao aumento do risco cardiovascular.
Por isso, um exame alterado não deve ser ignorado nem interpretado isoladamente. A investigação adequada permite identificar precocemente doenças potencialmente reversíveis, reduzindo o risco de complicações hepáticas e cardiovasculares no futuro.